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| Pós-Milenismo e a Bíblia |
O pós-milenarismo
espera que a grande maioria da população mundial se converta a Cristo como
conseqüência da proclamação do evangelho pelo poder do Espírito. À luz das
condições do mundo atual, muitos cristãos estão surpresos com a resistência da
esperança pós-milenar. Antes de fornecer uma evidência exegética positiva para
a posição pós-milenar, mostrarei de modo breve que, embora essa esperança na
vitória do evangelho seja estranha para o evangélico moderno, a teologia básica
bíblica lhe é inata. Esses fatores sugerem, à primeira vista, a plausibilidade
do pós-milenarismo.
O Propósito Criacionista Divino
Em Gênesis 1,
encontramos o registro divino da criação do Universo no espaço de seis dias.
Como resultado do resoluto poder criativo de Deus, tudo era originalmente “muito
bom” (Gn. 1:31). De fato, cremos que Deus criou o mundo para a sua própria glória.
“Pois dele, por ele, e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para
sempre! Amém” (Rm. 11:36). “Pois nele foram criadas todas as coisas nos céus
[...]” (Cl. 1:16b). A Bíblia reafirma com freqüência o amor de Deus por sua
ordem criada e reivindica seu direito de propriedade sobre todas as coisas. “Do
Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem”.1 O pós-milenarismo
defende que o amor de Deus por sua criação motiva-lhe a preocupação de trazê-la
de volta ao seu propósito original, ou seja, de promover glória verdadeira a
ele. Assim, a plena expectativa do pós-milenarismo está arraigada na realidade
criacionista.
O Poder Soberano de Deus
Nossa tarefa
evangelística no mundo deveria ser incentivada pela certeza de que Deus “faz
todas as coisas segundo o propósito da sua vontade” (Ef. 1:11). Temos como
verdadeiro que Deus controla a história por intermédio de seu decreto, por meio
do qual “faço conhecido o fim” (Is. 46:10). Por conseguinte, os pós- milenaristas
asseveram que a Palavra de Deus, como ele mesmo diz “não voltará para mim
vazia, mas fará o que desejo e atingirá o propósito para o qual a enviei” (Is.
55:11), independentemente da oposição dos seres humanos ou de demônios, apesar
dos fenômenos naturais ou das circunstâncias históricas.
Por
conseguinte, o cristão não deve usar fatores históricos passados ou circunstâncias
presente para prejulgar as probabilidades do futuro sucesso do evangelho.
Antes, deve avaliar suas possibilidades unicamente com base na revelação de
Deus na Escritura, pois o sucesso do evangelho é: “Não por força nem por poder,
mas pelo meu Espírito” (Zc. 4:6). Assim, a confiança definitiva do pós-milenarista
está na soberania de Deus.
A
Bendita Provisão Divina
Além disso, o Senhor dos senhores equipa amplamente sua igreja para o
sucesso da missão de evangelização do mundo. Dentre as ilimitadas providências divinas
para a igreja, estão as seguintes:
1)
Temos conosco a presença real do Cristo
ressurreto2. Ele é aquele que ordenou “ir e fazer discípulos de todas as nações”,
prometendo estar conosco até o fim (Mt. 28:19,20). Podemos, portanto, estar
convencidos “de que aquele que começou a boa obra em vocês, vai completá-la até
o dia de Cristo Jesus” (Fp. 1:6).
2) O Espírito
Santo habita em nós vindo do alto.3 Assim cremos que “aquele que está em vocês é
maior do que aquele que está no mundo” (1Jo. 4:4). Entre seus muitos ministérios,
ele produz um novo nascimento, concede poder aos crentes para um viver justo, e
abençoa a proclamação do seu evangelho trazendo os pecadores para a salvação.4
3) O Pai se
deleita em salvar pecadores.5 Na realidade, o Pai enviou seu Filho “não para
condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” (Jo. 3:17).
4) Nós temos o
evangelho, que é o “poder de Deus” para a salvação.6 Também brandimos a
poderosa Palavra de Deus como nossa espada espiritual. “As armas com as quais
lutamos não são humanas, ao contrário, são poderosas em Deus para destruir
fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o
conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente
a Cristo”. (2Co. 10:4,5).7
5) A fim de
nos apoiar e capacitar para a vitória do evangelho, temos pleno acesso a Deus
em oração8 mediante o nome de Jesus.9 O próprio Cristonos ordena a orarmos ao
Pai. “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”
(Mt. 6:10).
6) Ainda que
tenhamos a oposição sobrenatural de Satanás, ele é um inimigo derrotado como
resultado do primeiro advento de Cristo. “Portanto, visto como os filhos são
pessoas de carne e sangue, ele também participou dessa condição humana, para
que, por meio da morte, derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o
Diabo” (Hb. 2:14).10 Assim, podemos resistir a ele e ele fugirá de nós (Tg.
4:7; 1Pe. 5:9); podemos esmagá-lo sob nossos pés (Rm. 16:20). Certamente, a missão
que nos foi confiada por Deus é trazer a humanidade “das trevas para a luz, e
do poder de Satanás para Deus” (At. 26:18). Assim, a capacitação da igreja é
concedida por nosso gracioso Salvador.
Por essa razão,
uma vez que Deus criou o mundo para sua glória, reina sobre ele segundo o seu
poder ilimitado e equipa seu povo para superar o inimigo, o pós- milenarista
pergunta: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm. 8:31). Nossa confiança
está no serviço do Senhor Jesus Cristo, “o soberano dos reis da terra” (Ap.
1:5). Ele está assentado à mão direita de Deus “nas regiões celestiais, muito
acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se
possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir. Deus
colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as
coisas para a igreja” (Ef. 1:20-22). Temos certeza de que a ressurreição de
Cristo é mais poderosa do que a queda de Adão.
É claro que tudo isso não prova
que Deus conquistará o mundo pela vitória do evangelho. Mas isso deveria
dissipar qualquer abandono prematuro e fortuito do pós-milenarismo como uma opção
evangélica e viável, pavimentando, assim, o caminho para a reconsideração do
caso de nossa esperança evangelística. A pergunta agora é: A esperança pós-milenar
está arraigada na inspirada e infalível Palavra de Deus? Consideremos então
esse tópico.
1 - Sl 24:1; v. Ex 9:29; 19:5; Lv
25:23; Dt 10:14; 1Sm 2:8; 1Cr 29:11 e 14; Jó 41:11; Sl 50:12; 89:11: 115:16;
1Co 10:26 e 28.
2 - Jo 6:56; 14:16-20, 23;
15:4,5; 17:23,26; Rm 8:10; Gl 2:20; 4:19; Ef 3:17; Cl 1:27; 1Jo 4:4.
3 - Jo 7:39; 14:16-18; Rm 8:9;
1Co 3:16; 2Co 6:16.
4 - Jo 3:3-8; 1Co 6:11; Tt 3:5;
1Pe 1:11,12,22.
5 - Ez 18:23; 33:11; Lc 15:10;
2Co 5:19; 1Tm 1:15; 2:5.
6 - Rm 1:16; v. 15:19; 16:25; 1Co 1:18,24; 1Ts
1:5.
7 - V.tb. 2Co 6:7; Ef 6:17; 1Ts 2:13; Hb 4:12.
8 - Mt 7:7-11; 21:22; Ef 2:18; Fp 4:6; Hb 4:16;
10:19-22; 1Jo 3:22; 5:14,15.
9 - Jo 14:13,14; 15:7,16; 16:23,24,26;
1Jo 3:22; 5:14,15.
10 - Mt 12:28,29; Lc 10:18; Jo
12:31; 16:11; 17:15; At 26:18; Rm 16:20; Cl 2:15; 1Jo 3:8; 4:3,4: 5:18.
Fonte: O Milênio: 3 Pontos de
Vista, Darrell L. Bock (organizador), Editora Vida, p. 20-23.11.
SOBRE O AUTOR
Kenneth L. Gentry, Jr., obteve o seu título de
Mestre em Divindade (M.Div.) no Reformed Theological Seminary e o Mestre
(Th.M.) e Doutor em Teologia (Th.D.) no Whitefield Theological Seminary. Ele é
o Diretor do NiceneCouncil.com e pastor na Reformed Presbyterian Church,
General Assembly

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