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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Fundamento Bíblico-Teológico do Pós-Mileranismo - Rev. Kenneth L. Gentry, Jr.

Pós-Milenismo e a Bíblia
O pós-milenarismo espera que a grande maioria da população mundial se converta a Cristo como conseqüência da proclamação do evangelho pelo poder do Espírito. À luz das condições do mundo atual, muitos cristãos estão surpresos com a resistência da esperança pós-milenar. Antes de fornecer uma evidência exegética positiva para a posição pós-milenar, mostrarei de modo breve que, embora essa esperança na vitória do evangelho seja estranha para o evangélico moderno, a teologia básica bíblica lhe é inata. Esses fatores sugerem, à primeira vista, a plausibilidade do pós-milenarismo.

O Propósito Criacionista Divino

Em Gênesis 1, encontramos o registro divino da criação do Universo no espaço de seis dias. Como resultado do resoluto poder criativo de Deus, tudo era originalmente “muito bom” (Gn. 1:31). De fato, cremos que Deus criou o mundo para a sua própria glória. “Pois dele, por ele, e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém” (Rm. 11:36). “Pois nele foram criadas todas as coisas nos céus [...]” (Cl. 1:16b). A Bíblia reafirma com freqüência o amor de Deus por sua ordem criada e reivindica seu direito de propriedade sobre todas as coisas. “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe, o mundo e os que nele vivem”.1 O pós-milenarismo defende que o amor de Deus por sua criação motiva-lhe a preocupação de trazê-la de volta ao seu propósito original, ou seja, de promover glória verdadeira a ele. Assim, a plena expectativa do pós-milenarismo está arraigada na realidade criacionista.

O Poder Soberano de Deus

Nossa tarefa evangelística no mundo deveria ser incentivada pela certeza de que Deus “faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade” (Ef. 1:11). Temos como verdadeiro que Deus controla a história por intermédio de seu decreto, por meio do qual “faço conhecido o fim” (Is. 46:10). Por conseguinte, os pós- milenaristas asseveram que a Palavra de Deus, como ele mesmo diz “não voltará para mim vazia, mas fará o que desejo e atingirá o propósito para o qual a enviei” (Is. 55:11), independentemente da oposição dos seres humanos ou de demônios, apesar dos fenômenos naturais ou das circunstâncias históricas.
Por conseguinte, o cristão não deve usar fatores históricos passados ou circunstâncias presente para prejulgar as probabilidades do futuro sucesso do evangelho. Antes, deve avaliar suas possibilidades unicamente com base na revelação de Deus na Escritura, pois o sucesso do evangelho é: “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito” (Zc. 4:6). Assim, a confiança definitiva do pós-milenarista está na soberania de Deus.


A Bendita Provisão Divina

Além disso, o Senhor dos senhores equipa amplamente sua igreja para o sucesso da missão de evangelização do mundo. Dentre as ilimitadas providências divinas para a igreja, estão as seguintes:

1)      Temos conosco a presença real do Cristo ressurreto2. Ele é aquele que ordenou “ir e fazer discípulos de todas as nações”, prometendo estar conosco até o fim (Mt. 28:19,20). Podemos, portanto, estar convencidos “de que aquele que começou a boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp. 1:6).

2) O Espírito Santo habita em nós vindo do alto.3 Assim cremos que “aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo” (1Jo. 4:4). Entre seus muitos ministérios, ele produz um novo nascimento, concede poder aos crentes para um viver justo, e abençoa a proclamação do seu evangelho trazendo os pecadores para a salvação.4

3) O Pai se deleita em salvar pecadores.5 Na realidade, o Pai enviou seu Filho “não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele” (Jo. 3:17).

4) Nós temos o evangelho, que é o “poder de Deus” para a salvação.6 Também brandimos a poderosa Palavra de Deus como nossa espada espiritual. “As armas com as quais lutamos não são humanas, ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. (2Co. 10:4,5).7

5) A fim de nos apoiar e capacitar para a vitória do evangelho, temos pleno acesso a Deus em oração8 mediante o nome de Jesus.9 O próprio Cristonos ordena a orarmos ao Pai. “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt. 6:10).

6) Ainda que tenhamos a oposição sobrenatural de Satanás, ele é um inimigo derrotado como resultado do primeiro advento de Cristo. “Portanto, visto como os filhos são pessoas de carne e sangue, ele também participou dessa condição humana, para que, por meio da morte, derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo” (Hb. 2:14).10 Assim, podemos resistir a ele e ele fugirá de nós (Tg. 4:7; 1Pe. 5:9); podemos esmagá-lo sob nossos pés (Rm. 16:20). Certamente, a missão que nos foi confiada por Deus é trazer a humanidade “das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus” (At. 26:18). Assim, a capacitação da igreja é concedida por nosso gracioso Salvador.


Por essa razão, uma vez que Deus criou o mundo para sua glória, reina sobre ele segundo o seu poder ilimitado e equipa seu povo para superar o inimigo, o pós- milenarista pergunta: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm. 8:31). Nossa confiança está no serviço do Senhor Jesus Cristo, “o soberano dos reis da terra” (Ap. 1:5). Ele está assentado à mão direita de Deus “nas regiões celestiais, muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir. Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja” (Ef. 1:20-22). Temos certeza de que a ressurreição de Cristo é mais poderosa do que a queda de Adão.
É claro que tudo isso não prova que Deus conquistará o mundo pela vitória do evangelho. Mas isso deveria dissipar qualquer abandono prematuro e fortuito do pós-milenarismo como uma opção evangélica e viável, pavimentando, assim, o caminho para a reconsideração do caso de nossa esperança evangelística. A pergunta agora é: A esperança pós-milenar está arraigada na inspirada e infalível Palavra de Deus? Consideremos então esse tópico.


1 - Sl 24:1; v. Ex 9:29; 19:5; Lv 25:23; Dt 10:14; 1Sm 2:8; 1Cr 29:11 e 14; Jó 41:11; Sl 50:12; 89:11: 115:16; 1Co 10:26 e 28.
2 - Jo 6:56; 14:16-20, 23; 15:4,5; 17:23,26; Rm 8:10; Gl 2:20; 4:19; Ef 3:17; Cl 1:27; 1Jo 4:4.
3 - Jo 7:39; 14:16-18; Rm 8:9; 1Co 3:16; 2Co 6:16.
4 - Jo 3:3-8; 1Co 6:11; Tt 3:5; 1Pe 1:11,12,22.
5 - Ez 18:23; 33:11; Lc 15:10; 2Co 5:19; 1Tm 1:15; 2:5.
6 -  Rm 1:16; v. 15:19; 16:25; 1Co 1:18,24; 1Ts 1:5.
7  - V.tb. 2Co 6:7; Ef 6:17; 1Ts 2:13; Hb 4:12.
8  - Mt 7:7-11; 21:22; Ef 2:18; Fp 4:6; Hb 4:16; 10:19-22; 1Jo 3:22; 5:14,15.
9 - Jo 14:13,14; 15:7,16; 16:23,24,26; 1Jo 3:22; 5:14,15.
10 - Mt 12:28,29; Lc 10:18; Jo 12:31; 16:11; 17:15; At 26:18; Rm 16:20; Cl 2:15; 1Jo 3:8; 4:3,4: 5:18.

Fonte: O Milênio: 3 Pontos de Vista, Darrell L. Bock (organizador), Editora Vida, p. 20-23.11.


SOBRE O AUTOR
Kenneth L. Gentry, Jr., obteve o seu título de Mestre em Divindade (M.Div.) no Reformed Theological Seminary e o Mestre (Th.M.) e Doutor em Teologia (Th.D.) no Whitefield Theological Seminary. Ele é o Diretor do NiceneCouncil.com e pastor na Reformed Presbyterian Church, General Assembly

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